—Não conseguirei nunca laval-a d’esta mancha!
—Tenhas tu bem puro o teu coração!... disse Pélagué chorando.
—Não me accuso, não! declarou elle com energia. Mas é repugnante... Não é agradavel ter esta lama cá dentro no peito!
—Que pensas fazer?
—O que quero fazer?
E depois de reflectir, de cabeça baixa, ergueu-a e respondeu com amargo sorriso:
—Não tenho medo de dizer que fui eu... mas tenho vergonha do que fiz! Não! não posso dizel-o! Tenho vergonha!
—Não te percebo bem! exclamou Pavel, encolhendo os hombros. Não foste tu quem matou; e ainda que...
—Irmão, apezar de tudo, era um homem. O assassinio é coisa repugnante. Saber que alguem assassina, e não o impedir... é talvez uma covardia infame!
—Continúo sem perceber!