A porta abriu-se e deu entrada a Rybine. Trazia vestida uma capa curta, de pelles, toda manchada de alcatrão, e nos pés sapatos de canhamo; do cinto pendiam-lhe grosseiras luvas de lã preta; na cabeça um boné de pelles.
—Como vão de saúde? Puzeram-te na rua, Pavel? E tu, Pélagué, como vaes?
—Ah! és tu? muito estimo ver-te!
—Olha que vens mesmo lindo! disse Pavel.
Rybine respondeu, tirando vagarosamente a capa:
—Sim. Fiz-me camponez. Tu e os teus vão-se transformando pouco a pouco em senhores; eu ando para traz.
E passando ao quarto, lançou o olhar em roda.
—Não teem mais mobilia do que d’antes. Os livros é que augmentaram. São o melhor bem que se pode possuir hoje. Como vão as coisas por cá? Conta-me.
Sentou-se abrindo muito as pernas, apoiou as palmas das mãos nos joelhos, parecendo satisfeito na espectativa da resposta de Pavel.
—Vão bem.