—Digo que os nossos juizes são os nossos filhos! repetiu com um suspiro.
O outro poz-se então a discorrer em voz rapida e irritada, mas as frases precipitavam-se e não commoviam a velha.
Citada como testemunha, Maria Korsounova ficára de pé ao lado de Pélagué, para quem nem olhava. Quando o official lhe fazia qualquer pergunta, inclinava-se logo muito baixo e respondia em voz monotona:
—Não sei, Excellencia! Sou uma pobre mulher ignorante, só trato do meu negocio... Graças á minha estupidez, nada sei...
—Cala-te d’ahi! ordenou o official retorcendo os bigodes com violencia.
—A mulher inclinou-se, e logo, fazendo-lhe um gesto de provocação que elle não viu, murmurou:
—Toma, guarda lá este!
Mandaram-lhe que revistasse a velha. Pestanejou primeiro; depois fitou o official, com os olhos muito abertos. E declarou com voz submissa:
—Mas eu não sei fazer isso, Excellencia!
O official bateu o pé, zangado.