—Tens medo?
—Tenho! confessou. Essa gente da cidade... sabe-se lá quem é!
Inclinou-se para ella e disse com a voz irritada, como o pae:
—É por causa d’esse medo que todos nós morremos! E os que mandam em nós aproveitam-se d’esse medo e ainda mais nos amedrontam. Comprehenda de uma vez para sempre: emquanto houver medo, apodreceremos como as bétulas nos pantanos.
Afastou-se, exclamando:
—Deixal-o! Nós nos reuniremos cá em casa...
A mãe atalhou, chorando:
—Não me queiras mal! Como não hei de eu ter medo? Passei entre sustos toda a minha vida... tenho a alma cheia d’elles.
Pavel retorquiu a meia voz, mas brandamente:
—Desculpe. Não tenho outro meio ao meu alcance. E sahiu.