—Não, tem mais seis annos do que eu... Devo-lhe muitos favores... Ha de ouvil-a tocar n’aquelle piano, que é mesmo d’ella... de mais, ha aqui muita coisa que lhe pertence... Os livros, esses, são meus...

—E onde mora?

—Em toda a parte! respondeu elle, sorrindo. Onde quer que seja precisa uma creatura decidida, lá a encontrarão...

—Então tambem trabalha pela nossa causa?

—Está claro!

Dito isto, saíu em direcção á sua repartição e a velha ficou-se a pensar n’aquella causa commum que de dia para dia tornava os homens tão frios e obstinados. Parecia-lhe estar em frente de altissima montanha, em plena escuridão.

Por volta do meio dia veio uma senhora alta e elegante, vestida de preto. Aberta a porta, a recemchegada atirou para o chão uma malinha amarella e tomou com vivacidade uma das mãos de Pélagué, interrogando:

—A senhora é a mãe do Pavel Vlassof, não é?

—Sou eu, sim, senhora! declarou Pélagué, constrangida pela elegancia da dama.

—Pois a senhora é tal qual eu a tinha imaginado! Meu irmão mandou-me dizer que vinha viver para casa d’elle! Somos amigos velhos, seu filho e eu... Falava-me tanto de si!