A voz era baça; exprimia-se com lentidão, mas tinha gestos rapidos e saccudidos. Brilhava-lhe nos grandes olhos cinzentos um franco sorriso de mocidade. Algumas rugasinhas delicadas sulcavam-lhe já as fontes, e por cima das orelhas bem feitas ondeava um ou outro cabello branco, como prata.
—Venho com fome! declarou. Não desgostava de tomar uma chavena de café...
—Vou preparar-lho immediatamente, disse a outra; e, ao tirar uma cafeteira do armário, inquiriu em voz baixa:
—Então sempre é certo que o Pavel lhe falava de mim?
—Com certeza, e até muitas vezes!
E a irmã de Nicolao tirou da algibeira uma carteirinha, tomou de um cigarro e accendeu-o. Percorrendo o quarto a grandes passadas, proseguiu:
—Está em cuidados por causa d’elle?
Pélagué sorria, fitando a chamma azulada da lampada de espirito de vinho, a crepitar sob a cafeteira. O constrangimento de havia pouco desapparecera na sinceridade da sua satisfação.
«Fala então muito em mim, o meu filho!» pensava.
E proseguiu: