—Pergunta-me se estou em cuidado?... Com certeza, é bem triste o que se passa... Mas antigamente era peor ainda... Agora, como sei que elle não está só...

Fixou o olhar no rosto da sua nova conhecida.

—Como se chama, minha senhora? perguntou.

—Sofia.

Passou a examinal-a melhor. Havia n’aquella mulher o que quer que fôsse de audácia, demasiada confiança em si própria e excessiva precipitação. O seu falar era por demais imperioso.

—O que é importante é que os companheiros não vão ficar muito tempo na cadeia, e que sejam julgados depressa. Quando o Pavel estiver na Siberia, nós o faremos fugir... Ninguem póde passar sem elle, aqui...

Sofia procurava com a vista onde deitar a ponta do cigarro; por fim enterrou-a n’um dos vasos de flôres.

—Olhe que assim a planta morre! observou a velha machinalmente.

—Queira perdoar! disse Sofia. É isso o que o Nicolao me está sempre a repetir...

E retirando do vaso a ponta de cigarro, atirou-a pela janella.