III

Pelas quatro da tarde, Nicolao estava de volta. Ao jantar, Sofia contou, rindo, o seu encontro com o forçado evadido; falou do terror d’esse homem, sempre a vêr espiões em todos os cantos, e dos modos exquisitos do evadido... No tom de voz em que falava alguma coisa fazia lembrar á velha Pélagué a fanfarronada d’um operario que terminou uma tarefa difficil e que d’ella se gaba.

Vestia agora Sofia um roupão cinzento, leve e adejante que lhe cahia dos hombros até aos pés em pregas harmoniosas, vaporoso e simples.

Este novo trajo fazia-a parecer mais alta, ao passo que o olhar se lhe annuviára e os movimentos se lhe tornavam mais serenos.

—É preciso que trates d’outro negocio, Sofia! disse Nicolao, terminado o jantar. Como sabes, ha idéa de editar um jornal para a gente dos campos... mas, graças ás ultimas prisões effectuadas, os laços que nos uniam a esses camponezes, quebraram-se. Só Pélagué sabe como poderemos rehaver o homem que se encarrega da distribuição do jornal... Parte com ella... o mais cêdo que possas...

—Está bem, disse Sofia, recomeçando a fumar. Está combinado, mãesinha?

—Porque não? Pois, vamos!

—E é longe?

—Oitenta kilometros, pouco mais ou menos.

—Optimamente!... Agora vou tocar um bocado de piano... Está disposta para um pouco de musica?