Sophia, entretanto, fumava um cigarro. Fumava muito, quasi sem descanso.
—Era este o trecho favorito do pobre Kostia! disse, aspirando com força uma fumaça, e assentou de novo a mão, n’um debil accorde triste. Como eu gostava de lh’o tocar! Era tão intelligente! Nada havia que não compreendesse... O espirito d’elle era accessivel a tudo.
—É do marido que fala, pensou a hospede. E sorriu.
—Quanta felicidade elle me trouxe! continuou Sophia em voz baixa, ao passo que acompanhava os seus pensamentos com leves accordes repetidos. Como elle sabia viver bem!... Sempre alegre, de uma alegria infantil, cheia de vida, que todo o illuminava...
—Infantil! repetiu a mãe comsigo mesma.
—É verdade, disse Nicolao, revolvendo a barbicha, uma alma de illuminado!
Sophia atirou fóra o cigarro ainda acceso, voltou-se para Pélagué, perguntou:
—Esta bulha não a incommoda?
—Já lhe disse que não se importe comigo, respondeu ella com um ligeiro despeito que não poude disfarçar. Eu nada percebo d’isso... Estou aqui quieta, a escutar e a pensar...
—Não, senhora, é preciso que compreenda! replicou Sophia. Uma mulher, principalmente quando está triste, não póde deixar de compreender a musica...