Abriu-se a porta. Appareceu primeiro uma cabeçôrra com um boné de pelles, depois um corpo acurvado que se esgueirou lentamente, que se endireitou, que levantou o braço direito vagarosamente, arrancando do peito em suspiro ruidoso:

—Boa noite.

Pélagué cumprimentou em silencio.

—O Pavel ainda não veio?

O homem tirou com vagar um casaco de pelles, levantou um pé, saccudiu com o boné a neve que lhe cobria as botas, atirou depois com o boné para um canto e entrou no quarto bamboleando-se nas suas altas pernas. Approximou-se d’uma cadeira, examinou-a como, para certificar-se de que era sólida, assentou-se por fim e pôz-se a bocejar, tapando a bôca com a mão. Tinha a cabeça redonda e o cabello cortado á escovinha, a barba feita, e grosso bigode de guias compridas e pendentes. Depois de ter examinado o quarto com os grandes olhos bojudos e acinzentados, cruzou as pernas e perguntou balouçando-se na cadeira:

—O casebre pertence-lhes ou é alugado?

Pélagué, sentada em frente delle, respondeu:

—Alugamol-o.

—Não é grande coisa! observou o homem.

—O Pavel não se demora; queira esperar, disse froixamente.