O enfermo retomou a palavra:

—Destroe-se um homem com o trabalho, dá-se cabo d’elle com a prisão... e porquê? O nosso patrão—era na fabrica Nefédof que eu trabalhava á doida—o nosso patrão deu a uma cançonetista uma grande bacia de mãos e mais uma bacia de cama tudo de oiro... E foi em tal vaso que ficaram as nossas forças, as nossas vidas... as minhas e as de milhares d’outros. Ahi têem para que ellas serviram!

—O homem foi creado á imagem e semelhança de Deus! disse Jéfim, sorrindo—e ahi está o emprego que lhe dão... não vae mal!

—É necessario gritar isso! exclamou Rybine com violenta palmada na mesa.

—Não devemos supportal-o! accrescentou Jacob mais baixo.

Ignaty limitou-se a sorrir.

Notava a velha que os trez operarios falavam pouco, mas escutavam com uma attenção insaciavel d’almas sequiosas. De cada vez que Rybine abria a bocca, fitavam-no, copiavam-lhe os menores movimentos. As frases de Savely, porém, provocavam-lhes singulares tregeitos de enfado. Dir-se-ia não sentirem dó algum do enfermo.

E Pélagué inclinando-se ao ouvido de Sofia, perguntou baixinho:

—É certo o que elle conta?

Sofia respondeu em voz muito alta: