—E quando se procede com bondade, pagam-nos com a violencia! protestou Jéfim n’uma risadinha e pondo-se de pé com presteza. É bom que ellas se vão, tio Mikhaíl, antes que sejam vistas... Quando os livros estiverem distribuidos pelo povo, as autoridades hão de indagar d’onde vieram... E póde alguem lembrar-se das peregrinas e denunciál-as...
—Obrigado pelo incommodo, mãe! disse Rybine interrompendo Jéfim. Sempre que olho para ti me lembro do Pavel... Fizeste bem em seguir-lhe o exemplo...
Inteiramente apaziguado agora, esboçava franco e amigavel sorriso. Fazia fresco; no emtanto, conservava-se de blusa, o cós entreaberto, o peito á mostra. Pélagué attentou-lhe no robusto corpo e aconselhou, sollicita:
—Devias agasalhar-te, faz frio.
—Se eu estou tão quente cá por dentro! objectou.
De pé, junto do fogo, os trez rapazes conversavam baixo; aos pés d’elles, dormia o doente, embrulhado nas pelles. Branqueava-se o ceu, fundiam-se as sombras. Tremula, a folhagem aguardava o sol.
—Está bem, adeus! disse Rybine, apertando a mão de Sofia. Como hei de perguntar por si, na cidade?
—Basta que me procures, responde Pélagué.
Lentamente, em um só grupo, vieram os operarios apertar a mão de Sofia com expressões desastradas, de affecto. Em cada um d’elles transparecia secreta gratidão e amisade, e tal sentimento, novo como era para elles, desconcertava-os. Com os olhos prazenteiros e amortecidos pela insomnia, consideravam Sofia, firmando-se ora n’um pé, ora no outro.
—Querem beber uma gota de leite antes de partirem? offereceu Jacob.