—Basta de brincadeiras! É preciso tratar de te esconder, o que é coisa agradavel de fazer, mas não muito facil de conseguir... Se eu pudesse levantar-me!... Teve uma crise de soffocação e poz-se a esfregar o peito, em debeis movimentos.
—Estas bem doente, Iégor! disse o fugitivo.
Pélagué, a esta observação, suspirou e relanceou um olhar de inquietação pelo modesto quarto.
—Isso é comigo! declarou Iégor. Ó mãesinha, não esteja com cerimonias, peça-lhe noticias do seu Pavel.
A cara do bexigoso abriu-se outra vez em franco sorriso.
—O Pavel? Está bom, está de saúde. Elle é uma especie de presidente lá da rapaziada. É sempre elle que fala com as autoridades, em nome da gente; é elle quem manda!... Nós temos-lhe respeito... E com razão!
A mãe bebia as palavras do rapaz; por vezes, lançava um olhar furtivo para o rosto macerado e entumecido de Iégor. Este, com a fisionomia estática, qual mascara desprovida d’expressão, e com uma apparencia singular de nullidade, só pelos olhos vivia, em scintillações de espírito.
—Se me dessem alguma coisa de comer... Palavra que tenho muita fome! exclamou de subito o bexigoso.
—Ó mãesinha, disse Iégor, n’aquella prateleira está um pedaço de pão; dê-lho. Vá depois ao corredor e bata á sua esquerda, na segunda porta. Ha de vir abrir-lhe uma mulher; diga-lhe que venha cá e que traga tudo o que possuir com respeito a comestiveis.
—Para que ha de ella trazer tudo!? protestou Vessoftchikof.