—É então forçoso ir para o hospital? perguntou o enfermo.
—De certo. Lá irei ter comsigo.
—O quê? lá, tambem?...
—Não diga tolices!
E emquanto falava, compuzera no peito do doente a manta que o cobria, observára fixamente Vessoftchikof e medira com o olhar a altura do remedio no frasco. A voz d’ella era monotona e grave, mas sonora; os movimentos amplos, o rosto branco, com umas sobrancelhas muito pretas, que quasi se reuniam na base do nariz. Tal fisionomia não agradou a Pélagué, que a ficou julgando arrogante; os olhos não tinham brilho e nunca sorriam; o tom da voz era imperioso.
—Vamo-nos d’aqui! continuou ella. Eu já volto. A senhora dê ao Iégor uma colher de sopa d’este remedio... Não consinta que fale.
E saíu levando comsigo o bexigoso.
—Que mulher extraordinaria! disse Iégor com um suspiro. Que admiravel creatura!... Para casa d’ella é que você devia ter ido, mãesinha. Ella trabalha muito... Até anda esfalfada!
—Não fales! Olha, bebe antes isto! supplicou Pélagué com meiguice.
Elle ingeriu o remedio e continuou, fechando um dos olhos: