E de subito, uma claridade branca e desagradavel innundou o quarto. Lioudmila estava de pé, alta, toda vestida de negro.
Iégor teve um grande estremecimento por todo o corpo e levou a mão ao peito.
—O que é? exclamou Lioudmila, correndo para elle.
Fixou na velha um olhar demorado; parecia ter os olhos enormes, com um brilho estranho.
—Espera... balbuciou o enfermo.
Abriu muito a bocca, ergueu a cabeça e estendeu o braço para diante. Pélagué tomou-lhe a mão com cuidado extremo e fitou-o, contendo a propria respiração. Em movimento convulso e vigoroso, elle projectou a cabeça para traz e disse em alta voz:
—Deixei de existir... está acabado...
Percorreu-lhe o corpo ligeira contracção, a cabeça rolou-lhe lentamente no hombro, e, nos seus olhos esgazeados, a luz da lampada collocada por sobre o leito, espelhou-se com um reflexo frio...
—Meu amigo!... murmurou Pélagué.
Lentamente, Lioudmila afastou-se do leito; parou junto da janella a olhar para fóra e disse n’uma voz singular e sonora, que Pélagué nunca lhe tinha ouvido: