Voltou o médico. Vinha em mangas de camisa e estas arregaçadas. A uma interrogação muda de Nicolao, respondeu com a sua vozinha delgada:

—A ferida do rosto é insignificante, mas houve fractura do craneo, que tambem não é muito grave... O rapazola é valente, mas ainda assim perdeu muito sangue. Vamos leval-o para o hospital.

—Para quê? Póde ficar aqui! accudiu Nicolao.

—Hoje e ámanhã talvez, mas depois era preferivel que se tratasse no hospital, não tenho tempo para visitas. Encarregas-te do relatório do que se passou no cemitério?

—Bem entendido! respondeu Nicolao.

Pélagué levantou-se então sem fazer bulha e dirigia-se para a cosinha.

—Onde vae? exclamou Nicolao alvoroçado. Deixe lá a Sofia governar-se sósinha!

Com um olhar e um sorriso involuntário, singular, respondeu a tremer:

—Estou toda suja de sangue... Estou toda suja de sangue!

E ao mudar de roupa, no seu quarto, mais uma vez ficou a meditar na serenidade d’aquella gente, n’aquella faculdade de que dispunham de não demorar muito tempo o pensamento no horror dos acontecimentos. Esta reflexão fêl-a caír em si, vencendo o sentimento de terror de que estava possuida. Quando voltou ao quarto onde jazia o ferido, Sofia, curvada sobre este, dizia-lhe: