XIV

Ao meio dia, já Pélagué estava na secretaria da cadeia. Com turvo olhar, examinava o rosto barbudo de Pavel, que se lhe sentára em frente, á espera do momento em que poderia passar-lhe o bilhete que apertava fortemente na mão.

—Estou de saúde, e outros tambem, dizia Pavel a meia voz. E tu? como vaes?

—Muito bem. Morreu o Iégor! respondeu maquinalmente.

—Palavra?! exclamou Pavel; e baixou a cabeça.

—Vinha a policia no enterro, houve uma desordem, e foi um homem preso, continuou ella com simplicidade.

O sub-director da cadeia deu com a bocca um estalo, aborrecido, e levantou-se a resmungar:

—Não falem n’essas coisas! É proíbido, já devem sabel-o. Não se consente que se fale de política... Oh, Deus poderoso!

Ella ergueu-se igualmente e em voz d’innocencia desculpou-se:

—Eu não falava de política, falava da desordem. E o certo é que elles bateram uns nos outros. Até um ficou com a cabeça aberta!