Sachenka concordou com um aceno e perguntou com seccura:

—Não sabe dizer-me o que é que se póde dar a comer ao doente? Diz que tem fome...

—Póde comer de tudo... de tudo! Eu mesma lá vou.

E encaminhou-se para a cosinha. Sachenka seguiu-a vagarosamente.

Pélagué foi ao fogão buscar uma cassarola.

—Escute! murmurou a rapariga.

Fez se pálida, os olhos dilataram-se-lhe n’uma angustia e com os beiços trémulos, segredou de enfiada:

—Queria perguntar-lhe... Eu bem sei: elle não ha de querer. Mas convença-o, diga-lhe que precisamos d’elle, que não podemos passar sem elle, que tenho medo que elle caia doente n’essa prisão... que tenho muito medo! Bem vê: nem ainda está fixado o dia do julgamento!...

Falava com difficuldade e tal esforço toda a inteiriçava; não se atrevia a fitar a mãe de Pavel; a voz saía-lhe desigual como corda que se puxa de mais, e logo se quebra. Com as palpebras cerradas mollemente, mordia os beiços e ouviam-se-lhe estalar as articulações dos dedos, enclavinhados.

Pélagué, ficou emocionada ao ver aquelle accesso de exaltação, mas compreendeu. Commovida, cheia de tristeza, abraçou-a e respondeu baixo: