—Foi elle o primeiro a desfraldar a bandeira do nosso partido! declarou com emfase o rapaz, e esta exclamação de orgulho ecoou no coração da mãe. Eu não estava no grupo... Tinhamos tenção de fazer uma manifestação tambem aqui, mas fomos mal succedidos: eramos muito poucos! Mas este anno ha de ser outra coisa... Verá!
Offegava, emocionado, comprazendo-se á idéa de futuros acontecimentos. Agitando a colher, proseguiu:
—Falava eu então da mãe de Vlassof... Ao que parece, entrou tambem para o partido depois da prisão do filho... Dizem que essa velha é extraordinaria!
Pélagué teve um franco sorriso: sentia-se a um tempo lisonjeada e constrangida. Ia dizer-lhe que a mãe de Pavel era ella; mas conteve-se e pensou com tristeza e um pouco de ironia:
—Que velha tola que eu sou!
E de repente, dominando a sensibilidade que a dominava, curvou-se para o rapaz:
—Vamos, coma! Coma que mais depressa se ha de curar para proseguir nos nossos trabalhos! A causa do povo precisa de braços juvenis e robustos, de corações puros, de espíritos leaes! São essas forças que lhe dão vida; é por ellas que hão de ser vencidas toda a maldade e toda a infamia!...
Abriu-se a porta, deixando penetrar o fresco húmido do outono. Entrou Sofia, alegre, com as faces muito córadas.
—Os espiões andam a perseguir-me como os janotas arruinados perseguem uma herdeira rica, palavra d’honra! Tenho de me ir embora d’aqui.
—E então, Ivan, como vae?... Bem?... Pélagué, que diz o Pavel?... A Sachenka está cá?