—Viva!
Quando dispunha sobre a mesa pratos e chavenas, a pequena annunciou de chofre, muito animada:
—Apanharam agora mesmo um ladrão... Vão trazel-o para aqui.
—Que vem a ser esse ladrão?
—Não sei.
—Que fez elle?
—Não sei; só ouvi dizer que tinham apanhado um ladrão! Foi o guarda que saíu a correr da administração para ir buscar o commissário. Ia a gritar: «Está agarrado, tragam-no para cá!»
Pélagué olhou pela janella e viu que vários camponezes se approximavam. Uns caminhavam devagar, com todo o socego; outros, corriam e vinham a abotoar as suas capas de pelles mesmo a andar. Pararam todos em frente do casarão e dirigiram os olhares para a esquerda. Mas conservavam-se todos em singular silencio.
A rapariguinha olhou tambem para a rua e saíu da sala, batendo ruidosamente com a porta. Pélagué estremeceu. Occultou o melhor que poude a mala debaixo do banco, cobriu a cabeça com um lenço e veio fóra, a passo rápido, reprimindo o incompreensivel desejo de fugir que toda inteira a assaltava.
Ao chegar ao poial da entrada da estalagem, sentiu nos olhos e no peito um friosinho agudo; suffocou, teve as pernas dormentes: a meio do largo caminhava Rybine com as mãos amarradas nas costas, escoltado por dois guardas. Silenciosa, a multidão dos campónios estava á espera, em volta da escadaria da administração.