E augmentou de attenção. Da soleira da estalagem distinguia perfeitamente o rosto sujo e tumefacto de Rybine, divisava-lhe o brilho do olhar; desejava que elle tambem a visse; pôz-se nos bicos dos pés, de pescoço estendido.

Varios populares attentavam n’ella com modos frios, desconfiados, sem proferir uma palavra. Só nas primeiras filas do ajuntamento é que se notava um susurro continuado de conversações.

—Camponezes, meus irmãos, proseguiu Rybine com voz máscula e firme, tenham confiança n’esses escriptos! É para a morte talvez, que eu caminho por causa d’elles! Fui espancado, torturado, quizeram obrigar-me a dizer d’onde elles provinham... Pois que continuem a espancar-me—tudo supportarei!... Porque n’esses papeis encontra-se a verdade, e a verdade é para ser por nós mais presada do que o pão!... do que a própria vida!

—Para que diz elle aquillo? perguntou um dos dois campónios.

O dos olhos azues respondeu com lentidão:

—Que lhe importa, a elle? A gente não morre duas vezes... E agora que já está condemnado...

Os trabalhadores continuavam mudos, relanceando olhares furtivos e mal humorados; a todos parecia acabrunhar o que quer que fosse invisivel mas esmagador.

O official inferior appareceu n’isto na balaustrada da administração. Titubeante e em voz avinhada, regougou:

—Que vem a ser toda esta gente? Quem está para ahi a falar?

Precipitou-se para o largo, agarrou e saccudiu Rybine pelos cabellos, gritando: