—Fala, que não deixamos que te batam!

—O que foi que tu fizeste, an?

—Desamarrem-lhe os pulsos.

—Não, não, meus irmãos!

—Porque não? Que importancia tem isso?

—Pensem bem no que fazem!

—Doem-me os pulsos! disse Rybine, dominando o tumulto com a sua voz sonora e espaçada. Meus irmãos! descansem que não fujo!... Eu não posso fugir á verdade, pois que ella vive em mim!

Algumas pessôas separaram-se do ajuntamento e foram-se afastando com meneios de cabeça; alguns riam... Mas sem cessar, gente exaltada, mal vestida por terem envergado os fatos á pressa, vinha chegando de todos os lados. Fervilhavam em volta de Rybine qual negra escuma. De pé, no meio d’elles, tal um cruzeiro em meio da floresta, o preso ergueu os braços acima da cabeça e gritou:

—Obrigado, obrigado, bôa gente! Sim! devemos desligar as nossas mãos mutuamente! Quem nos havia de ajudar, se nós não nos ajudassemos uns aos outros?

Ergueu novamente uma das mãos, toda ensanguentada: