—Vêem o meu sangue? É pela verdade que o derramo!
Pélagué desceu o poial. Mas do nivel do largo, já Rybine lhe não era visivel; tornou pois a subir os degraus. Tinha o peito em fogo mas dentro d’elle sentia palpitar alguma coisa de vaga alegria...
—Camponezes! Busquem esses folhetos, leiam-nos. Não acreditem nas autoridades e nos padres, que andam a dizer-lhes que são ímpios e herejes aquelles que vos trazem a verdade!... A verdade vae sempre fazendo o seu caminho silencioso pela terra, e no seio do povo encontra abrigo. Para essas autoridades ella é peor que o ferro e que o fogo. A verdade é a nossa melhor amiga; para a autoridade é uma inimiga declarada.—ahi teem porque ella se esconde.
De novo resoaram entre a multidão varias exclamações.
—Irmãos, escutem!
—Ai, pobre homem, estás perdido!
—Quem te denunciou?
—Foi o padre, respondeu um dos guardas.
Dois dos camponezes vomitaram logo uma chuva de impropérios.
—Cuidado, camaradas! advertiu uma voz.