—Obrigado, mãesinha, obrigado pelo chá!

—Ainda não o bebeu e já agradece?! replicou ella.

E, olhando para o filho:

—Não os incommodo?

Foi Natacha quem respondeu:

—Como pode incommodar os seus hospedes, se é a dona da casa?

E n’um tom infantil e lamentoso:

—Boa alma! dê-me chá depressa! Estou a tremer com frio... tenho os pés gelados...

—É para já! é para já!

Depois de ter bebido, Natacha suspirou á larga, atirou a trança para as costas e abriu um livro volumoso, illustrado e de capa amarella. Pélagué enchia os copos, deligenciando não os fazer retenir, e, com toda a attenção de que era capaz o seu cerebro pouco acostumado a trabalhar, escutava a leitura que a rapariga fazia com a sua voz harmoniosa, que se misturava ao murmurio da agua a ferver no samovar, semelhante a longinqua canção.