—Pois está claro! Não tem direito de bater-lhe!

—Se isto são maneiras de proceder! D’essa fórma, começam todos para ahi a bater na gente! O que será então!

—Que brutos! que carrascos!

Dividia-se o povo em dois grupos: uns rodeavam o commissário, gritavam, exortavam-no, os outros, menos numerosos, permaneciam junto do ferido e discorriam em voz baixa e com ares de abatimento. Ergueram-no do chão alguns homens. Os guardas dispunham-se a ligal-o de novo.

—Esperem ahi, seus diabos! gritaram-lhes.

Rybine limpou a lama e o sangue que lhe empastavam a cara e, silencioso, olhou em torno. Deu então com a vista no rosto de Pélagué. Esta estremeceu, adiantou todo o corpo para elle, fez instinctivo gesto. Elle desviou os olhos. Mas, alguns instantes mais tarde, voltava o olhar do preso a fixar-se n’ella. Afigurou-se á pobre mulher que Rybine se endireitava na sua direcção, que erguia a cabeça para ella, com um movimento convulso das ensanguentadas faces.

—Reconheceu-me!... É possivel que me tenha reconhecido?!...

E, vibrante de uma pungente satisfação angustiada, fez-lhe um signal com a cabeça. Mas logo reparou no homem dos olhos azues, que se encontrava junto de Rybine e que a fitava. Dispertou n’ella a consciencia do perigo.

—Que estou eu a fazer?... Podem prender-me tambem.

O homem segredou algumas palavras a Rybine; este abanou a cabeça e disse nervosamente mas por fórma distincta e valorosa: