—Que importa? se eu não estou sósinho no mundo!... A verdade nunca poderá ser encarcerada! O povo ha de lembrar-se de mim por toda a parte onde passei... Ahi está! O ninho foi destruido, mas que mal vae n’isso, se dentro d’elle já não estavam nem amigos, nem camaradas?
É para mim que está a falar! pensou Pélagué.
—O povo saberá construir outros ninhos, em prol da eterna verdade, e ha-de chegar o dia em que as águias voarão livremente... em que o povo será libertado!
Trouxe uma mulher um balde d’agua e, desfazendo-se em lamentações, entrou de lavar o rosto do preso. A vózinha chorosa e fina da mulher confundia-se com a de Rybine e não deixava que Pélagué entendesse o que elle dizia. Precedido do commissário de polícia, avançava um grupo de camponezes. Alguem ordenou:
—Um carro para levar o preso para a cidade! Olá, a quem toca fornecer o carro?
Em seguida, o commissário gritou n’uma voz transtornada e como vexado:
—Eu posso bater-te, entendes? mas tu não me pódes fazer outro tanto, tu é que não tens esse direito, idiota!
—Ah! E quem és tu então? Deus de misericordia! replicou Rybine.
Algumas exclamações abafadas cobriram a resposta.
—Não discuta, tiosinho! Olhe que é um chefe!