—Está dito.
Encolheu os hombros, cruzou outra vez a blusa e segredou:
—Ora, veja: lá vem a procissão!
Rybine surgira no topo da escadaria. Trazia de novo as mãos amarradas, e a cabeça e a cara embrulhadas em qualquer coisa pardacenta. A sua voz vibrou na frialdade do crepúsculo:
—Até mais ver, bôa gente! Busquem a verdade, conservem-na; creiam n’aquelles que vos trazem as bôas palavras... Não poupem quantas forças tenham, em prol da verdade!
—Cala-te, cão! gritou o commissário. Guarda, faz andar esses cavallos!
—...Pois que teem a perder? Que existencia é a vossa?
Pôz-se o carro em andamento. Sentado entre dois guardas, Rybine ainda gritou cavamente:
—...Porque morrem de fome? Trabalhem por obter a liberdade... É ella que lhes ha-de dar pão e justiça!... Bôa gente, adeus!
O ruído precipitado das rodas e das patas dos cavallos, as invectivas do commissário de policia confundiam-se com a sua voz, entrecortando-a e abafando-lha.