Apóz um instante de reflexão, perguntou:

—Diga-me: aquelle outro... o homem... é da sua familia?

—Não, respondeu Pélagué.

Pedro pôz-se a rir só comsigo, muito satisfeito, sem que os outros soubessem porquê. Afigurou-se a Pélagué uma injustiça falar de Rybine como de qualquer estranho.

—Não é da minha familia, explicou; mas ha muito que o conhecia... Respeito-o como se fôsse meu irmão...

Mas não achava a expressão que buscára. Tal deficiencia tornava-se-lhe dolorosa; e não poude conter o pranto. Na choupana reinava melancolico silencio. Pedro inclinou a cabeça sobre o hombro; dir-se-ia que escutava o que quer que fôsse. Reclinado sobre um dos cotovellos, Stépane tamborilava. A mulher d’este, encostada ao fogão, conservava-se na sombra. Pélagué sentia-lhe o olhar fito e, por vezes, olhava tambem para ella, entrevia-lhe o rosto redondo, de pelle escura, nariz direito, o mento talhado em angulo e com uma expressão de attenta vigilancia nos olhos esverdinhados.

—É portanto, um amigo! concluiu Pedro. É um homem de valor, por certo! Tem-se em grande conta e assim devem todos fazer. Aquillo é que é um homem! não é assim, Tatiana?... Que dizes?

—É casado? interrompeu Tatiana. E franziu com força os labios delgados da sua bocca meuda.

—É viuvo, respondeu a velha com tristeza.

—Por isso tem tanta coragem! declarou Tatiana em tom profundo e grave. Um homem casado não se portava assim; tinha medo!