Nem comia: falava, falava sempre, em murmurio rapido; os olhos, pretos e astuciosos, brilhavam-lhe, muito vivos. E importunava largamente Pélagué com mil observaçõesinhas sobre a vida do sitio, como se estivesse a despejar um sacco de moedas de cobre.
Por duas vezes lhe disse Stépane:
—Anda, come!
Elle agarrava n’um pedaço de pão, n’uma colher, e espraiava-se de novo em considerações, falando, falando, como um pintasilgo a cantar. Terminada a ceia, finalmente, levantou-se de brusco, declarando:
—É tempo de voltar para casa!
Approximou-se de Pélagué e saccudiu-lhe a mão:
—Adeus, tiasinha! Talvez nunca mais nos tornemos a ver... Sempre lhe quero dizer que tive muito prazer em travar relações comsigo e em ouvil-a falar... sim, senhora, muito prazer! Tem mais alguma coisa na mala alem dos livros? Um chale de lã? Está muito bem... um chale de lã, ouves, Stépane? Elle já lhe traz outra vez a sua mala. Vamos, Stépane! Adeus! Passe bem!
Assim que os dois saíram, Tatiana tratou de preparar cama para a velha; foi acima do fogão e ao sotão buscar umas roupas e dispôl-as sobre o banco.
—É um rapaz desembaraçado! observou Pélagué.
A outra respondeu, interrompendo a tarefa para lhe lançar um olhar furtivo: