—Não.

—«Ella» está a dormir?

—Sim, parece-me que sim...

Brilhou uma claridade, que tremeluziu e logo se afogou nas trevas. O campónio approximou-se do leito da velha e compôz a capa de pelles que lhe cobria as pernas. Esta attenção impressionou profundamente Pélagué. Fechou de novo os olhos e sorriu. Stépane, sem fazer bulha, despiu-se e trepou para o sotão.

Pélagué, immovel, prestava attento ouvido ás variantes preguiçosas do silencio somnolento.

Na sua frente, nas trevas, via desenhar-se o rosto ensanguentado de Rybine.

Chegou-lhe então aos ouvidos um leve murmurio que vinha do sotão:

—Tu bem vês. Attenta n’essa gente que anda a trabalhar pelo bem de todos! Gente idosa, até, e que passou por mil desgostos e depois de moirejar toda uma vida! Chegou-lhes a sua occasião de descansar, mas bem vês como se aproveitam d’ella!... E tu, Stépane, estás ainda novo, és intelligente... e nada fazes!

Respondeu a voz grossa do homem:

—A gente não póde metter-se n’uma coisa d’essas sem pensar! Espera um pouco, que aquella canção já eu conheço ha muito!