—Limite-se a responder sim ou não! disse o velho com esforço mas perceptivelmente.
Pélagué sentia que por detraz d’ella susurrava certa agitação; todos falavam baixinho e mexiam-se muito nas bancadas, como para desannuviarem os espiritos da teia d’aranha tecida pelo discurso enfadonho do homem de porcelana.
—Vês como elles respondem? segredou Sizof para a mãe de Pavel.
—Sim!
—Fédia Mazine, responda!
—Não quero! declarou Fédia peremptoriamente, pondo-se de pé.
Estava muito córado pela commoção e com os olhos brilhantes. Sizof soltou um «Ah!» de mal contido espanto.
—Não quiz defensor, portanto nada direi. Considero o julgamento d’este tribunal como illegitimo!... Quem são os senhores? Foi o povo quem lhes deu o direito de julgar-nos? Não, não foi o povo! Logo, não os conheço!
Tornou a sentar-se e occultou o rosto rubro, por detraz do hombro de André.
O juiz gordo curvou-se para o presidente, cochichando. O juiz de rosto esmaecido lançou uma olhadela obliqua para os réus e, com o lapis, passou um traço por cima do que quer que fôsse, escripto no papel que tinha em frente. O syndico do bailiado abanou a cabeça e removeu os pés do sitio em que os tinha, com precaução. O marechal da nobreza conversava com o procurador; o administrador da communa prestava attento ouvido ao que diziam e sorria, esfregando sempre uma das faces.