Pélagué e Sizof saíram para o corredor.

—Queres vir ao bufete, tomar chá? perguntou sollícito o velho operário. Temos hora e meia para esperar.

—Não, obrigada.

—Bem, então tambem eu não vou. Viste os rapazes, an? Falam como se elles fôssem os verdadeiros homens e os outros coisa nenhuma! Ouviste o Fédia, an?

De bonné na mão, vinha chegando n’este momento o pae de Samoílof. Com um sorriso triste, perguntou:

—Que dizem do meu filho? Não quiz advogado e recusa-se a responder... Foi elle que teve a idéa.

O teu filho era pelos advogados, Pélagué; o meu disse que não os queria. E houve quatro que lhe seguiram o exemplo.

A mulher esteve ao lado d’elle. Piscava de contínuo os olhos e limpava o nariz com a ponta do lenço. Samoílof reuniu na mão toda a barba, n’um punhado, e continuou:

—Outra coisa que me dá que pensar: quando a gente olha para aquelles demónios, parece que elles fizeram tudo aquillo inutilmente, que comprometteram a sua vida sem necessidade e, de repente, fica-se a scismar se elles não terão razão...

E é bom não esquecer que lá na fabrica, o partido d’elles aumenta continuadamente. De vez em quando, prendem-nos; mas nunca os apanham a todos, assim como nunca se apanham os peixes todos d’um rio! E a gente fica sempre a perguntar com os seus botões: «Quem sabe se elles dizem a verdade!»