—Para nós, é difficil compreender esta questão! declarou Sizof.
—Sim, é certo! acquiesceu o outro.
A mulher interveio então, depois de ter respirado com ruido:
—Parece que estão todos de perfeita saúde, estes malditos juizes!...
E continuou, com um sorriso no seu rosto emmurchecido:
—Não estejas zangada, Pélagué, por eu te dizer ha bocado que o Pavel era o culpado de tudo!... Para falar com franqueza, nem a gente sabe qual é o mais culpado! Ouviste o que os espiões e os policias contaram do nosso filho?...
Claramente se via que tinha orgulho d’aquelle filho, embora ella própria talvez nem désse por isso; mas Pélagué, que avaliava bem tal sentimento, abriu-se em bondoso sorriso.
—Os corações moços andam sempre mais próximos da verdade do que os velhos! disse ella em voz baixa.
Passeava-se pelo corredor; formavam-se grupos em que se discutia concentradamente, todos pensativos e animados. Ninguem se conservava afastado, toda a gente sentia a necessidade de falar, de interrogar e de escutar o que se dizia. No estreito recinto da passagem, entre as duas paredes brancas, os grupos iam e vinham, como se, impellidos por violenta rajada, procurassem apoio n’alguma coisa firme e segura.
O irmão mais velho de Boukine, um grande latagão de cara envelhecida prematuramente, gesticulava, virando-se com vivacidade para todos os lados. Protestava elle: