—O syndico do bailiado nada tem a ver para o caso; não está aqui no seu logar!
—Cala-te, Constantino! exortava o pae, um velhinho, sempre a olhar em volta, assustado.
—Não, senhor, eu quero falar! Dizem que o anno passado matou um empregado... por causa da mulher d’este! Ora que espécie de juiz vem a ser aquillo, fazem favor de me dizer? A viuva do empregado vive agora com elle!... Que havemos de concluir?... Além d’isso, toda a gente sabe que é ladrão...
—Ai, meu Deus!... Constantino!...
—Tens razão, sim senhor! apoiou Samoílof. Tens razão! Não é um juiz sério!...
Boukine, que tudo ouvira, approximou-se rápido, levando atraz de si numeroso grupo. Muito vermelho, de excitado, entrou de falar, com grandes gestos:
—Quando se trata de assassinatos ou de roubos, são os jurados que julgam, quer dizer: a gente habitual, trabalhadores, burguezes... Agora, quando se trata dos que são contra o governo, quem os julga é o próprio governo!... Isto póde ser?...
—Constantino!
—Mas escuta, estão elles realmente contra o governo? Vê lá, que dizes?
Não, espera! O Fédia Mazine tem razão. Se tu me offenderes e eu te der uma bofetada e se tu tiveres de me julgar, com certeza é a mim que chamarás culpado; e comtudo, quem insultou? Tu! Tu!