Um guarda já idoso, de nariz adunco e peito ornado de medalhas, atravessou por entre o ajuntamento e foi dizer a Boukine, ameaçando-o com o dedo:
—Olá! não grites! Onde imaginas que estás? É alguma taberna, aqui?
—Queira perdoar, cavalheiro... Eu percebo bem. Ora escutem: se eu bater em alguem e esse alguem me retribuir as pancadas e se eu tiver de julgal-o depois, como é que podem imaginar...
—Olha que te faço saír! disse o guarda severamente.
—Saír? para onde? Porquê?
—Para a rua! Que é para não berrares!
Boukine circumvagou o olhar pelo auditório e commentou a meia voz:
—Para elles, o essencial é que estejamos calados.
—Ainda não o sabias? replicou o velho com rudeza.
O outro baixou a voz.