Olhou. O homem dos hombros de desigual altura estava ao lado d’ella e conversava com o seu visinho, um homem corpulento de barba preta, com umas enormes botas e casaco curto.
Estremeceu. Ao mesmo tempo, sentia o desejo de falar nas crenças de seu filho, para ouvir as objecções que lhe pudessem apresentar e calcular a decisão do tribunal pelas opiniões dos que a rodeavam.
—É isto por ventura fórma de julgar? começou ella a meia voz, prudentemente, dirigindo-se a Sizof. Não compreendo isto. Os juizes só tratam de averiguar o que fez cada um d’elles, mas não perguntam porque o fez. Será isto justo? diga lá! E são todos elles velhos! Para julgar gente nova são precisos homens novos!
—Sim! disse Sizof. Torna-se-nos difficil compreender todo este negocio... muito difficil!
E abanava a cabeça, pensativo.
N’isto, o guarda abriu a porta da sala e gritou:
—Entrem os parentes! Mostrem os seus bilhetes.
Uma voz de mau humor commentou:
—Os bilhetes... como no circo!...
Sentia-se agora uma irritação geral e mal contida, uma colera vaga. Os curiosos manifestavam maior semceremonia do que pouco antes, faziam barulho, discutiam com os guardas.