Da cidade vinham ainda outras pessôas, por exemplo uma rapariga esbelta, de olhos grandes e rosto magro e pallido. Chamavam-lhe Sachenka. Havia o que quer que fosse masculo nos seus gestos e no andar; franzia os sobr’olhos negros como irritada; quando falava, as delicadas narinas estremeciam.
Foi ella que um dia disse primeiro que os outros:
—Nós, socialistas...
Quando Pélagué ouviu esta palavra, olhou para a rapariga com mudo terror.
Sabia que os socialistas tinham assassinado um tzar. Fôra durante a sua mocidade; dissera-se então que os proprietarios ruraes, indignados contra o imperador por ter libertado os servos, haviam jurado não cortar os cabellos emquanto elle não fosse morto. Por isso não podia compreender a rasão por que o seu filho e a companheira se tinham feito socialistas.
Quando todos se retiraram, perguntou a Pavel:
—Pavloucha, é verdade que és socialista?
—É! respondeu firme e franco como sempre.
Pélagué deu um profundo suspiro e disse, baixando os olhos:
—Parece-te bem, meu filho?... Elles são contra o tzar... já mataram um!...