A vermelhidão das chammas desappareceu-lhe do rosto, o qual voltou a mostrar-se severo e um pouco altivo.

«Deve ser bem trabalhosa a vida que levas»—foi o súbito pensamento que accudiu ao espirito de Pélagué, acompanhado d’um sentimento d’affeição.

Ella pôz-se a lêr o discurso de Pavel, primeiro, sem vontade, depois, curvando-se cada vez mais sobre o papel. Ia atirando rapidamente para o chão as folhas já lidas. Finda a leitura, levantou-se, endireitou o tronco e foi para a outra:

—Está muito bom! Ahi está do que eu gosto! É nitido e claro!

Inclinou a cabeça e reflectiu um instante.

—Não quiz falar-lhe do seu filho: nunca o vi e não me agradam as conversas tristes. Eu sei o que se sente quando vemos um dos nossos ir para o degredo!... Diga-me: é agradavel ter-se um filho como elle?

—Sim, muito agradavel!

—E deve ser coisa terrivel tambem?...

Com um sereno sorriso, Pélagué respondeu:

—Não; agora já não...