—Bom dia! respondeu-lhe Lioudmila. Vão dar as dez horas. Levante-se para irmos almoçar.

—Porque não me accordou?

—Tive idéa d’isso; mas a senhora mostrava um sorriso tão bonito, emquanto dormia...

N’um movimento ágil do seu corpo robusto e flexivel, Lioudmila levantou-se, approximou-se do leito, curvou-se sobre o rosto d’ella; e Pélagué poude distinguir nos olhos sem brilho da sua hospedeira alguma coisa familiar, amigavel, compreensivel.

—... que não quiz despertal-a... Era um bello sonho que estava tendo, com certeza...

—Não, senhora; não sonhei com coisa alguma.

—Pois é pena... Mas gostei de vêr aquelle seu sorriso: achei-o tão meigo, tão santo!

E Lioudmila poz-se a rir, um rir aveludado e discreto.

—Entrei a pensar em si, na sua vida... Porque a sua existencia deve ser ardua!

Pélagué contraíu os sobrolhos, pensativa.