Pélagué, entretanto, achava Lioudmila muito mudada, parecia-lhe mais singela de maneiras, mais compreensivel. Havia nos movimentos graciosos do seu esbelto corpo, belleza e força, a attenuarem o que no rosto pálido tinha de severidade. Com a noite perdida as olheiras haviam-se-lhe cavado mais. Sentia-se-lhe nos modos um esforço continuado, como se na sua alma vibrasse uma corda em demasiada tensão.
O rapaz trouxe o samovar.
—Sérgio, olha a senhora Pélagué Vlassof, a mãe do operário que foi hontem condenado.
A criança inclinou-se em silencio, apertou a mão de Pélagué, tornou a saír e voltou trazendo pão.
Sentou-se tambem á mesa. Emquanto ia servindo o chá, Lioudmila aconselhou Pélagué a não voltar para casa sem que se soubesse quem era a pessôa alvejada pelas deligencias policiaes.
—Talvez seja a senhora mesma... Hão de querer interrogal-a.
—Que me importa! redarguiu ella. Se for prêsa, a desgraça não será grande! Só o que desejava era que o discurso do Pavel estivesse já distribuido...
—Já está composto. Ámanhã teremos exemplares bastantes para a cidade e para os arrabaldes... e tambem para o resto do districto. Conhece a Natacha?
—Ora se conheço!
—Pois é preciso que lhe leve os folhetos.