A criança estava lendo um jornal. Parecia não ouvir o que diziam, mas de quando em quando, erguia os olhos para Pélagué. Esta, quando lhe surpreendia aquelle olhar tão vivo, sentia-se agradavelmente commovida. A joven senhora falou novamente de Nicolao, sem lamentar sequer a sua captura, o que de toda a maneira pareceu a Pélagué naturalissimo. O tempo dir-se-ia passar mais veloz; era perto do meio dia quando terminaram o almoço.

XXIX

De repente ouviu-se bater na porta, rapidamente. Levantou-se a criança e dirigiu interrogador olhar á dona da casa.

—Abre, Sérgio! Quem poderá ser?

Com o maior socego, introduziu a mão na algibeira do vestido e disse á sua hospede:

—Se fôr a polícia, colloque-se ali n’aquelle canto. E tu, Sérgio...

—Bem sei! respondeu a criança, baixando a voz. E saíu.

Pélagué sorria. Não a impressionavam taes preparativos; não tinha o presentimento d’uma desgraça.

Quem entrou afinal foi o doutor. Annunciou logo com precipitação:

—O Nicolao foi preso!... Ah, está por cá, tiasinha?... Não estava em casa quando o levaram?