—Não, senhor; foi elle que me mandou para aqui.
—Hum!... Não me parece que isso lhe seja de grande utilidade... Esta noite, uns rapazes imprimiram com gelatina quinhentos exemplares do discurso do Pavel. O trabalho ficou bom, está bem impresso, lê-se bem. Tencionam distribuil-os pela cidade, esta noite. Não sou d’essa opinião: para a cidade são preferiveis os folhetos impressos; os outros é que devem ser expedidos para toda a parte.
—Eu os vou levar á Natacha! Dê-mos! exclamou Pélagué com vivacidade.
O seu grande desejo era fazer circular o mais depressa possivel o discurso de Pavel; inundar a terra com as palavras de seu filho. E fitava o médico attentamente, com olhar quasi supplicante.
—Não sei se será prudente que a senhora se metta agora n’essa empreza! disse, indeciso. E puxou pelo relógio.—São onze horas e quarenta e trez minutos... O comboio parte ás duas e cinco; póde chegar ao seu destino ás cinco e quinze... Ia chegar de noite, mas não era muito tarde... Além do que, não é isto o essencial...
—Não, não é isso o essencial! repetiu Lioudmila, franzindo o sobrolho.
—Então o que é? perguntou Pélagué, approximando-se d’elles. O essencial é que a distribuição seja bem feita... e eu sei como me hei de haver!
A dona da casa attentou n’ella fixamente e declarou, passando a mão pela testa:
—É perigoso...
—Porquê? exclamou a outra.