—É uma rapariga decidida!
E ficou-se com ar de mal disposto.
—Não ha duvida tambem! concordou o russo-menor. Ha apenas uma differença: não compreende que é ella quem deve e que somos nós que queremos e podemos.
Pélagué notara tambem que a severidade de Sachenka caía mais em particular sobre Pavel a quem por vezes chegava a repreender. Elle sorria, ficava silencioso, e contemplava a rapariga com o olhar suave que outrora tinha para Natacha. E isto não agradava a Pélagué.
Reuniam-se duas vezes por semana; e quando a mãe de Pavel via a attenção apaixonada com que os novos escutavam as falas do filho e do russo-menor, as interessantes narrativas de Natacha, de Sachenka, de Nicolao Ivanovitch e dos outros que vinham da cidade, esquecia as suas inquietações, e recordando-se dos fastidiosos dias da sua mocidade, meneava tristemente a cabeça.
Muitas vezes, Pélagué ficava surpreendida dos accessos de alegria ruidosa que os atacavam de subito. O facto dava-se geralmente quando tinham lido nos jornaes noticias da classe operaria estrangeira. Era uma alegria estravagante, como infantil; riam todos com um riso limpido e muito alegre, e batiam amigavelmente no hombro do companheiro mais proximo.
—Teem trabalhado a valer, os nossos companheiros allemães! annunciava qualquer d’elles, como embriagado de extasi.
—Vivam os nossos companheiros italianos! gritava outra voz.
E quando enviavam estas exclamações ao longe, aos amigos desconhecidos, pareciam convencidos de que elles os ouviam e participavam do seu enthusiasmo.
O russo-menor, cheio de um amor que abrangia a todos os seres, declarava: