Explicou-lhe o que tinha a fazer e em seguida accrescentou, fitando-a bem de frente:

—O que desejo é que se saia bem! Está satisfeita, não é assim?

E foi-se descontente. Logo que ouviu fechar se a porta, Lioudmila approximou-se de Pélagué.

—A senhora é uma excellente mulher!... Eu compreendo-a...

Travou-lhe depois do braço, e ambas entraram a passear pelo aposento.

—Tambem eu tenho um filho. Tem já doze annos. Mas vive com o pae. Meu marido é procurador substituto; talvez seja já procurador effectivo, não sei... E aquella criança está na sua companhia... Quantas vezes pergunto a mim mesma qual será o seu futuro!...

Teve na voz, desfallecida, uma commoção, e depois proseguiu baixinho, de novo meditativa:

—Se elle está sendo educado por um inimigo figadal d’aquelles que me são queridos, d’aquelles que eu considero como as melhores creaturas da terra!... E assim, meu filho póde vir a ser meu inimigo tambem... Não me é licito trazel-o para a minha companhia, pois que vivo com nome supposto. E ha oito annos já que o vi pela ultima vez!... Quanto tempo! Oito annos!

Ao pé da janella, parou e ficou a olhar para o pálido e desolado céu.

—Se elle vivesse comigo, sentir-me-ia mais forte. Mesmo se morresse, ficaria mais aliviada...