Apóz um instante de silencio, ergueu a voz para explicar:

—Porque então, ficaria sabendo que só estava morto; porque não poderia tornar-se n’um inimigo d’aquillo que é superior ao próprio amor materno, de tudo o que na vida ha mais precioso!...

—Minha querida amiga! murmurou brandamente Pélagué, sentindo o coração confranger-se-lhe de dó.

—A senhora é feliz! proseguiu Lioudmila com um sorriso. É admiravel vêr uma mãe e um filho caminharem lado a lado... É raro!

—Sim, é certo; é delicioso! exclamou Pélagué.

E explicou, baixando a voz, como para confiar um segredo:

—É como se tivessemos uma segunda vida! A senhora, Nicolao, todos, emfim, os que luctam pela verdade, estão comnosco!... E assim, tornamo-nos mais intimos uns dos outros... E eu compreendo-os... não o que dizem, mas tudo o mais, sim, compreendo-o!... Tudo!

—Ah, é assim? exclamou a joven senhora. É assim!...

E logo Pélagué, pousando-lhe a mão no hombro:

—Os nossos filhos vão em marcha pela terra! Eis o que eu compreendo! Vão em marcha pela terra, por toda a terra e em toda a parte caminham para o mesmo fim! Arremessam se ao assalto os melhores corações e os espiritos mais leaes, sem olharem para traz de si, para tudo o que é mau e sinistro. E avançam, avançam... Debeis ou robustos todos dedicam as suas inteiras forças á mesma causa: a justiça! Juraram triunfar da desgraça; armaram-se para aniquílar o infortúnio da humanidade: querem vencer o horror e hão de vencêl-o! «Havemos de accender um novo sol» disse-me um d’elles. E hão de accendêl-o! «Havemos de reunir num só todos os corações despedaçados!» disse outro. E hão de fazel-o!