Sem dizer palavra, Vessoftchikof apertava a mão de Pélagué entre os seus dedos curtos. Respirava a custo; o pescoço robusto estava congestionado, os olhos brilhavam-lhe de raiva. André sorria e meneava a cabeça; disse algumas palavras a Pélagué, que fez o signal da cruz sobre elle, respondendo-lhe:
—Deus conhece os justos!
Emfim o bando de homens de capotes cinzentos desappareceu dobrando a esquina da casa, com um tintilar de esporas. Rybine foi o ultimo a saír; com o seu negro olhar prescrutou Pavel; em tom meio abstracto disse:
—Adeus, an...?
E foi-se, sem pressas, tossindo, de cabeça baixa.
Com as mãos cruzadas nas costas, Pavel entrou de passear de um para outro lado, por entre as trouxas de roupa e os livros espalhados no chão, até que perguntou em tom sombrio:
—Viste como é?
Sem deixar de olhar para a desordem em que ficára o quarto, ella disse baixinho, afflicta:
—Prender-te-ão tambem... tambem, a ti! Para que foi tão grosseiro o Vessoftchikof?
—Teve medo, provavelmente!... respondeu Pavel tambem em voz baixa. Não se deve falar áquella gente... nada se consegue d’elles! são incapazes de compreender...