Decorridos uns instantes, ella accrescentou com tristeza:
—Como és cruel, meu filho! Se ao menos me tranquillisasses... Mas não! se eu digo coisas terriveis, o que tu me respondes é peor ainda!
Elle olhou de relance, approximou-se, e baixando a voz:
—Não sei que responder-lhe, mamã. Não posso mentir. Tem que acostumar-se...
Pélagué suspirou e calou-se; depois, estremecendo:
—Será verdade? Dizem que elles torturam os presos, que lhes retalham o corpo em tiras, e lhes quebram os ossos... Quando penso n’isto, tenho medo, Pavel, meu querido filho!
—Torturam a alma e não o corpo. É ainda mais doloroso do que a tortura tocarem-nos na alma com as mãos emporcalhadas!
XI
Soube-se na manhã seguinte que Boukine, Samoílof, Somof e mais cinco pessoas tambem tinham sido presos. Á noite, Fédia Mazine veio de corrida: haviam feito uma busca em sua casa; estava radiante por isso, e considerava-se como um heroe.
—Tiveste medo, Fédia? perguntou Pélagué.