—É isso mesmo!
Todavia, commentou a meia voz com um sorrisinho:
—Ah! és ainda novo. Não conheces o proximo!
Pavel, de pé diante d’elle, explicou gravemente:
—Não falemos de novos nem de velhos! Vejamos antes qual é a melhor opinião.
—Portanto, em tua opinião até se teem servido de Deus para nos enganarem? Concordo. Tambem creio em que a nossa religião é nociva e erronea.
Pélagué interveiu. Quando o filho falava de Deus, das coisas sagradas e queridas que se ligavam á fé que ella tinha no seu Creador, tentava sempre encontrar o olhar de Pavel para pedir-lhe tacitamente que não lhe despedaçasse o coração com palavras de incredulidade, cortantes e aceradas. Ella porém sentia que, apezar de mostrar-se sceptico, o seu filho era crente; e isto tranquilisava-a.
—Como poderia eu compreender os seus pensamentos? dizia a si mesma.
Pensava que devia ser desagradavel e ultrajante para Rybine, um homem d’idade, ouvir taes palavras de Pavel. Mas quando Rybine dirigira aquella pergunta perdeu, de todo a paciencia.
—Sêde mais prudentes falando de Deus! disse resumidamente, mas com obstinação. Façam o que quizerem, mas...