Por isso opiniaõ he dos Filosofos, que quem tiver discriçaõ, que terà todas as virtudes, mas porque a prudencia està partida em tres partes: aconselhar bem, julgar bem, e mandar bem, tanto ellas em si seraõ mais estimadas, e aceitas, quanto o proveito, que dellas nascer, for mais universal, e por isso o Principe prudente de que pende o bem, e descanço de todo o povo, he digno de mòr louvor, que os outros homens. Diz o Poeta Hesiodo, que aquelle se pode chamar perfeito, que sem ajuda de ninguem por si conhece a verdade, e logo a poz este, o que sabe tomar o bom conselho, mas quem naõ alcança nada per si, nem quer ser aconselhado d’outrem, que este tal naõ tem saber, nem aproveita a si, nem a Reepublica. Em todalas partes da prudencia V. Alteza he taõ perfeito, como nas outras, que já disse da justiça, nem poderia ser tão justo, senaõ fosse taõ prudente. Notorio he a todos com quanto saber, com quanta diligencia se aconselha em todalas cousas importantes a seu Estado, e a o bem destes Reynos, como esquecido de todo folgar, e passatempo, al naõ cuida, em al naõ trabalha, senaõ em buscar meyos para conhecer o que he bom, e em saber qual he melhor, é depois de sabido em o pòr por obra. Com tal aviso Themistocles Atheniense conservou a liberdade de Grecia, e os Romãos poderaõ conquistar, e governar tamanho Imperio, e muito bem diz o Poeta Homero, que o Principe, que tem grandes negocios, naõ deve dormir toda a noite.
O Rey, como diz o Filosofo Xenocrates, que naõ menos reyna para ti, que para os outros, o Rey que ha de ter seu povo livre de todo mal, e descançado, cumpre-lhe, que naõ creya nenhum falso contentamento, e de tal maneira vença seus appetitos, que os Vassallos obedecendo a elle, obedeçaõ à virtude, e naõ he menos cousa real vencer-se o Rey a si mesmo, que vencer batalhas campaes, e cumpre-lhe naõ dezejar, nem buscar louvor daquellas cousas em que os màos homens podem ter preço, por quanto o caminho do verdadeiro louvor he a mesma virtude. Cumpre-lhe trazer muitas vezes à memoria os aquecimentos, e feitos passados, assi dos Reys, e Principes, como das pessoas, que o naõ saõ. E desta maneira quem souber o passado, julgarà mais prudentemente o que està por vir. Finalmente cumpre lhe lembrarse em todo o tempo, que he Rey, e aconselhar-se naõ sómente do que ha de fallar, é porque os lizongeiros saõ muy contrarios do verdadeiro conselho, naõ nos ha de sofrer em sua casa, mas ha de lançallos de si. O Emperador Trajano a quantos soube, que sohiaõ no tempo passado, por pedir a fazenda alhea mexiricar alguem com o Principe, desterrou, e fez embarcar em Navios, e passar por huma grande tormenta a humas Ilhas desertas. Tiberio Cesar em quanto foy vivo Octaviano nunca fez cousa sem conselho, seguindo o exemplo, e authoridade de taõ singular Principe, por onde suas cousas hiaõ àvante, assi na guerra, como na paz era bem quisto, e dava de si muita esperança, mas depois que morto Octaviano veyo elle a ser Emperador, usando mal do grande poder (porque quem muito pode as mais vezes muito erra) e não se aconselhando como d’antes, veyo a dar consigo em toda a cruesa, e deshonestidade da vida, e apparecer nelle os grandes vicios, que a reverencia, e acatamento do Emperador Augusto, e o conselho dos seus amigos muito tempo tiveraõ encubertos.
Sohia dizer Marco Antonino Emperador Romaõ, quando entrava em conselho, que mais razaõ era, que elle só seguisse o conselho de tantos, e taes seus amigos, que naõ que elles seguissem o parecer delle, e Agamenon Rey dos Gregos no cerco de Troya, pedio a Deos, que lhe desse outros taes dez conselheiros, como era Nestor, o qual por sua longa idade, e experiencia excedia no arrayal dos Gregos. Se Pithagoras manda, que todo o homem tenha na vida respeito a dous tempos, que saõ manhãa, e tarde, quer dizer, que pela manhãa nos lembremos do que havemos de fazer aquelle dia, e à noite do que jà temos feito, e se Cleobulo hum dos sete sabedores leyxou dito, que antes que sahissemos de casa, cuidasse-mos o que haviamos de fazer, e depois de tornados tomasse-mos conta a nòs mesmos do que tinhamo feito, se estes preceitos foraõ dados a qualquer pessoa particular, que conselho, que cuidado deve ser o do bom Principe, a quem toca o Regimento de tanto numero de gente? Naõ diz em balde o proverbio mais vem dous olhos, que hum, o que Aristoteles confirma, e o mesmo diz, que poucas vezes acontece, quando muitos daõ conselho, que algum delles naõ acerte. Se pudesse ver o Principe os defeitos, males, e fraquezas dos homens, e se por alguma graça, ou privilegio Divino pudesse entrar nos pensamentos, e julgar taõ claramente as vontades, como julga o que vè de fora, sem duvida acharia ser verdade o que digo, e veria quam necessario he ao bom Governador entrar muitas vezes em conselho para com elle soccorrer, e acodir a todos os perigos, e necessidades de seu povo. Escreve-se de Solon hum dos sete Sabedores de Grecia, que vendo andar hum seu amigo muy triste, e enojado por grandes payxoens, o levou ao Castello de Athenas, que era no mais alto da Cidade, e dahi lhe rogou, que lançasse os olhos, por todos os edificios, e cazas, que daquelle lugar podia ver, e então lhe disse: cuida agora meu amigo, quantos trabalhos, quantos cuidados, quantas tribulaçoens ouve sempre de baixo daquelles telhados, e os que agora tambem ha, e os que ao diante seraõ, e cuidando bem isto, naõ chores os males, que a todos saõ geraes, como se a ti só fossem particulares, e com esta consolaçaõ nos mostrou as Cidades, e Reespublicas serem huns parques, e encerramento de muitos cuidados. O mesmo Filosofo dizia que se os males de todos os homens se ajuntassem para depois igualmente se averem de repartir antre todos os homens, que antes cada hum tomaria, e escolheria levar os seus para sua caza, que tomar de todos juntos a parte, que a cada hum coubesse.
Outro grande Filosofo, chamado Eraclito, doendo-se das mizerias dos homens, nunca outra cousa fazia, senaõ chorar. He causa clara, que nenhum Reyno naõ pòde durar muito sem ajuda de Principe, que tenha bom conselho, mas cumpre que os conselheyros sejaõ verdadeiros, e amigos de Deos, e que saybaõ, e naõ sejaõ de pouca idade. Sohia dizer Socrates muy prudentemente, que a Deos deviamos somente pedir que nos desse o que fosse bem, porque elle somente via o que era bem, mas que os homens pola mòr parte dezejavaõ o que seria melhor q́ naõ ouvessem, e o mesmo dizia que era grande atalho para a verdadeira gloria, que fossemos taes, quaes queriamos parecer a outrem, porque com Deos naõ he necessario estar em muitas praticas, nem dar lhe razoens do nosso dezejo; mas a verdade de leyxar tudo em suas maõs, e quanto a esta parte brevemente lhe pedir, que faça o que mais vir, que he necessario, que he seu serviço, mas no negocio dos homens, por andar a verdade as mais vezes encuberta, cumpre primeyro que se a cousa ponha em obra, que seja comunicada, e examinada com os amigos, e comparando os tempos, e aquecimentos, que se vejaõ as razoens, e busquem os meyos, e dos meyos qual serà o melhor, e depois que se ponha em obra, porque desta maneira, sendo discutidas, e praticadas as cousas, se vem a cahir no conhecimento da verdade, e para isto muy necessarios, como dizem, saõ ao bom Principe bons, e verdadeiros Conselheyros. Nem cuido eu que por outra causa a Reepublica de Veneza passa jà de mil annos, que florece sem nunca ser tiranizada. Necessario he que no Conselho naõ entre payxaõ, odio, nem cobiça, nem pouco amor de Deos, nem lizonjaria, porque sempre se vio as pessoas, que taes vicios, ou parte delles tiveraõ, serem prejudiciaes às Reespublicas.
Naõ deve ser o Conselheyro muito moço, que aonde naõ ha idade, naõ pòde haver muita prudencia, e os mancebos naõ tendo experiência do mal, naõ podem entender o bem, nem o sabem aconselhar, e então conhecem o erro, quando o mal he presente, e a culpa naõ tem remedio. Escreve-se que succedendo Roboaõ filho de Salamaõ no Reyno de seu Pay, e sendo-lhe requerido em ajuntamento geral polos doze Tribus, que quizesse soltar alguma parte dos tributos, que ElRey seu Pay lhes puzera, quiz Roboaõ antes que nada fizesse praticar isto em Conselho em que aos velhos parecia, que ElRey no começo de seu Reynado devia contentar ao povo. Os mancebos polo contrario o aconselharaõ, que pois o povo fora taõ descortès, que ousara pedir cousa, que jà estava taõ assentada, que Roboaõ lhe devia responder asperamente, porque outra hora vissem com quem o haviaõ, e naõ ouzassem entrar em taõ doudo requerimento. Pareceo melhor o Conselho dos mancebos a Roboaõ, por ser tambem mancebo, e pondo-o assi em obra, foy causa de que dez Tribus se alevantassem logo contra elle, e fizessem outro Rey, chamado Jeroboaõ, ficando sómente com Roboaõ dous Tribus Benjamim, e Judà, por isso os Romaõs, como os Persas, como todos os outros Estados deraõ sempre muita authoridade, e credito aos mais velhos, o que o mesmo nome de Senador nos representa.
Naõ he piqueno inconveniente quando os mancebos daõ conselho serem muy colericos, e seguirem seu appetito, que a rasaõ naõ olhaõ a que pode seguir, porque saõ as maes vezes guiados de hum falso desejo, e enganosa esperança, que lhes cega o entendimento, ou por seguirem sua vontade, ou por contentarem a quem aconselhaõ, querem tudo aventurar em hum ponto, e por isso diz Aristoteles, que os taes naõ saõ aptos para o exercicio das virtudes moraes. Os velhos polo contrario ensinados da longa idade, e experiencia das cousas passadas, nenhuma cousa fazem, nenhuma cousa dizem, senaõ com muito tento, julgaõ o que hade vir polo passado, e no presente se guardaõ dos extremos, nem pòde mais nelles a payxaõ, e colera, que a razaõ, e entendimento: naõ fazem, nem aconselhaõ nada aceleradamente, e se aproveitaõ do tempo segundo a qualidade do negocio, alguma ora uzando de pressa, outra de vagar, e tudo isto para conseguir, o que he mais proveitoso à Reepublica, com dilatar as cousas, e assi como no tempo da paz se vem a saber todo o engano, assi na guerra se descobrem os conselhos, e acordos da parte contraria.
Dizia Epaminondas Capitaõ Thebano, que nenhuma cousa era mais necessaria, nem mais proveitosa a hum bom Capitaõ, que conhecer as determinaçoens dos inimigos. O Emperador Cesar Augusto (que tanto neste Panegyrico allego) era Principe muy attentado, e prudente, o qual dizia, que o Capitaõ novo sobre tudo se devia guardar de pressa, e atrevido cometimento, e trazia muito na boca estas palavras (ajunta pressa com vagar) que vieraõ a ficar em proverbio. O mesmo dizia, que assàz depressa era feito, o que era bem feito, nem queria que se começasse alguma guerra, salvo quando a esperança do proveito fosse mayor que o receyo do danno, e os que aventuravaõ muito por cousa pouca, dizia, que eraõ semelhantes a quem pesca com anzol d’ouro, o qual se se perde, he muito mayor a perda, que a esperança do interesse. Naõ cuide alguem que Fabio Maximo mereceo sobre nome de Maximo por ser aventureyro, e cometedor, mas por ser muy attentado, e uzar de dilaçaõ a seu tempo, e quanto mais valha o vagar attentado, que a pressa acelerada se pòde bem ver polo exemplo de Minucio seu Mestre dos Cavalleyros, porque este despresando os conselhos de seu Capitaõ, e reprehendendo nelle aquella dilaçaõ, que foy causa de ser quebrada a furia d’Anibal, se ouvera de perder, se o mesmo Fabio lhe naõ acudira, assi que o vagar de Fabio Maximo naõ aproveitou pouco depois a Marcelo, a Scipiaõ Africano para serem diligentes.
Bem sey que alguns saõ de opiniaõ, que Fabio foy chamado Maximo, quando em Roma apartou os Estrangeiros em quatro Tribos, ou Freguesias sobre si, mas a gloria de salvar Italia das maõs d’Anibal foy tamanha, que naõ sey para que buscamos outra causa, nem outro nascimento a taõ honrado titulo, e eu para mim quero viver neste engano; devem isso mesmo os que aconselhaõ saber muitas cousas, e senaõ forem Letrados, ao menos sejaõ taõ prudentes, que escuzem as letras, e porque o principal fundamento de todos os Estados està em boas leys, e boas armas, naõ menos devem de entender as cousas da guerra, que da paz. Preceito he de Xenocrates, que o Rey se deve aconselhar com homens Letrados, e universaes, e com Poetas, e com Filosofos, mas eu assi como naõ tomo todo o perigo desta tençaõ sobre mim, assi ousaria affirmar, que o bom Conselheyro deve ter noticia de muitos estudos, das Ordenaçoens, da Patria, do Direito commum, finalmente dos verdadeiros Officios de toda a virtude, e quem estas partes todas tiver, poderà bem aconselhar seu Principe.
Acho eu, que duas maneiras ha ahi do governo, porque ou o Principe quer conservar o que tem, ou quer conquistar os caminhos para conquistar saõ estes: aos vencidos naõ dar muita opressaõ, mandar que os vassallos, e naturaes vaõ morar nas terras ganhadas, as quaes povoaçoens os Romaõs chamavaõ Colonias, dos despojos fazer thesouro: afadigar ao inimigo com cavalgadas, entradas, e batalhas campaes, e naõ concertos: ter rico o pubrico, e pobre: a os vencidos dar aos Capitaens inteiro poder como faziaõ os Romaõs, naõ reservando para si mais que o mover nova guerra, e assi manter com muita diligencia os Exercitos, e gente d’armas: as regras para conservar saõ enfrear cobiças, e desejos demasiados, e governar as Cidades com boas leys, e bons costumes. Mas quer o Principe queira conquistar, quer se contente com conservar o ganhado, sempre tem muita necessidade de fieis, e prudentes Conselheiros, fieis seraõ quando fallarem verdade, e como diz o nosso Proverbio antigo (mais valem açoutes do amigo, que beijos doces do inimigo) e prudentes, quando tiverem experiencia, ou letras. Costume he da Reepublica Veneziana, que havendo muitos officios nobres em cada officio da Justiça, e durando ordinariamente os officios, nunca sahem todos juntos, nem entraõ todos juntos; mas se saõ dez Officiaes de hum càrrego, quando o primeiro delles acaba, ainda os nove, que naõ tem acabado, ficaõ, e quando o segundo acaba, ainda ficaõ os oito, e em lugar dos que acabaõ, se elegem outros de novo. Ordenaraõ isto os Venezeanos, porque haja sempre Officiaes, que ensinem aos que entraõ, porque se começassem todos juntos, naõ poderia ser, e para que vejamos quam necessario he o bom conselho a todos os Principes, olhemos quantos males, e quantas deshonras, vem aos Reys, e Senhores, que se regem por sua cabeça.
Do Emperador Octaviano se escreve que naõ podendo sofrer a pouca vergonha, e deshonesto viver de sua filha Julia, vencido de muita ira, contou publicamente todas suas deshonestidades, que della sabia ao povo, em que foy digno de muita reprehensaõ, que posto que (segundo delle escrevem) queria mais ver morte aos seus, que deshonra, com tudo as culpas de sua filha mais eraõ para elle as callar, e castigar secretamente, que naõ para as dizer ao povo: mas depois que a merencorîa se lhe foy, e em lugar da sobeja colera succedeo o conhecimento da verdade, doendose Augusto de sua infamia, e queixando-se de si mesmo, dizem, que disse em voz alta com grande dor de sua alma estas palavras: naõ me acontecèra a mim isto, se Agrippa, e Mecenate meus Conselheiros foraõ vivos; estes foraõ dous grandes seus privados ambos pessoas de muito preço, e de muita virtude, que o Emperador desde sua mocidade tomàra por amigos, e achando-os dignos de sua amizade os amàra constantemente; porque Augusto antre outras virtudes teve esta, que assi como era mào de tomar amigos, e amizades novas, assi as que huma vez tomava, nunca mais soltava atè morte, e se o Emperador Augusto, sendo tal Principe, por se naõ aconselhar, cahio em tamanha culpa, em tanto mòres erros se deve crer, que cahiraõ os Principes, que naõ saõ iguaes a Octaviano, se se quizerem sómente reger por seu Conselho. Mas tornando a meu proposito, V. Alteza faz tudo o que se espera de hum virtuoso Principe, e assi como Nosso Senhor o dotou de muy alto, e experto juizo, e vivo entendimento, assi os do seu Conselho saõ merecedores de tamanha honra como he confiar delles o pezo dos negocios, q́ tocaõ a seu Ceptro Real, nos quaes elle he taõ occupado, que posto que a idade o convida a folgar, e a tomar algum descanço, e recreaçaõ do trabalho; com tudo o amor, que tem à sua Reepublica he de mais força, e pode mais que nenhum seu particular contentamento. Louvado he o exercicio da caça, e monte aos Principes, e grandes Senhores, o qual, como diz Xenofonte, ha de ser temperado, e antigamente os filhos dos Reys se criavaõ nos bosques e caças, e tinhaõ quem lhes ensinava muitas cousas necessarias para guerra: tambem o sitio, e disposiçaõ dos lugares se sabe pola mòr parte, porque havendo nas terras todas alguma conformidade facilmente polo conhecimento de humas, se vem a saber as outras; mas posto que este exercicio seja louvado, e V. Alteza use dalle temperadamente, e a seus tempos, com tudo muito mòr louvor sem nenhuma comparaçaõ merece o seu continuado exercicio, e trabalho de governar bem, e ter em muita paz, e justiça seu Reyno, levando elle sóo mà vida, com que nòs todos vivamos descançados. A todos he notorio quanto amor às Letras, quanto favor, quanto amparo, quanta mercè recebem delle os Letrados de toda a sciencia: este amor he causa de sua Corte florecer hoje tanto em Letras como florece, este mesmo o faz cuidar novas maneiras, e novas invençoes d’Estudos geraes, por onde as sciencias em seu Reyno naõ menos cresçaõ, e vaõ adiante, que as outras virtudes. Verdadeiramente as Letras dizem bem com as armas. Bem sey, que saõ muitos d’outra opiniaõ, mas a causa disto (se me não engano) he por naõ confessarem seu defeito, louvando a virtude de que carecem. Mal hiria ao Capitaõ senaõ fosse prudente, e mal à Reepublica que naõ houvesse armas sem conselho, e authoridade de Letras; mas fique esta questaõ para outro tempo, agora sómente direy, que os mais dos Emperadores, e Reys, e Capitaens de grande fama foraõ Letrados.