Pela Religião, sente-se o Espirito fortemente appoiado n’um principio de fé e não vai chocar-se com todas as incertezas humanas; eleva-se ao ponto de vista divino, para ver de mais alto e mais longe que viram os mais sabios.

Eliminai a Religião, e a Instrucção não será mais que um vão pasto offerecido á curiosidade ou ao orgulho, ella não fará amar profundamente o verdadeiro; os mais elevados pensamentos perdem-se em ambitos acanhados; a verdade fria e inanimada pára no espirito e não sabe ir até ao coração. Ella exalta sobremaneira a intelligencia, como por vezes o tenho visto, e é um dos maiores perigos da Educação puramente humana, ella exalta a intelligencia em detrimento do caracter e da consciencia, em certas naturezas avidas de conhecer; ou então a deixa inerte e esteril em outras, cuja intelligencia só poderia ser chamada ao movimento e á vida pelo grito da consciencia ou pelas ternas insinuações da Religião. N’estas naturezas mediocres, a Instrucção reduzida a si mesma, não é nada, ou, quando muito, apenas é um deposito confiado á guarda inactiva da memoria, uma serie de conhecimentos, uma avida nomenclatura, um montão indigestivo de sciencia sem luz, de factos sem ligação e sem vida.

A Disciplina é a seu turno ennobrecida pela instrucção: deve ser elevada á dignidade de guarda da intelligencia; mas é sobre tudo pela Religião que a disciplina se torna uma verdadeira potencia moral na Educação.

Pela Religião, a Disciplina não é sómente o olho do superior e a garantia da obediencia material; é o olho de Deus e a inspiração de uma nobre docilidade.

É sob os auspicios da Religião sómente que a disciplina se torna a protectora dos costumes e a guarda da innocencia; o penhor dos grandes estudos; a inspiração do bom espirito; a dispensadora e a thesoureira do tempo; e nervo do regulamento interior e a mola poderosa de toda a Educação.

Sem Religião, pelo contrario, a Disciplina não é mais que uma policia de caserna, aviltante para aquelles que a soffrem, mais aviltante ainda para aquelles que a fazem soffrer.

Por mais severa que seja, nunca poderá chegar ás almas e a isso desafio. Logo apesar da severidade, nenhuma consciencia, intratavel, sem freio nas paixões secretas e menos respeito.

Jámais conseguirá esta disciplina toda material, toda exterior, educar o homem, a não ser que se queira fazer da sociedade uma colonia militar, para a qual seria a Educação encarregada de formar conscriptos!

Fique-se bem sabendo, nada ha de commum entre o regimen despotico de alguns collegios e esta nobre Disciplina das almas, que é a verdadeira Educação da mocidade.

Na Educação, não basta que se obedeça, é necessario que haja gosto na obediencia. E o que faz amar a obediencia? a Religião, só a Religião.